Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Deito a noite


Deito a noite,
adormeço a vida.


Espalho-me em cama
quente de recordações.


Enrolo-me em lençóis
de areia e vento
que celebram o dueto na duna.


Deixo os dedos acesos
e toco a saudade
nas teclas de um peito
que se enche ao lembrar-se
de um poema distante.


Oiço a brisa
que chega com a lua.


Deito a noite,
acordo o desejo,
o desejo, de voltar a ser tua...

3 comentários:

José Manuel Brazão disse...

Sabes como sou teu Amigo, mas que não homem de exageros ou excessos.

No entanto, mais uma vez digo -te e agora aos teus leitores, que és uma Florbela Espanca do século XXI.

Últimos exemplos: " Um poema de amor"; " O meu silêncio " e " Deito a noite".
Tantos outros guardo-os com muito afecto nos meus arquivos.

Beijocas

Marta Vasil disse...

E é tão bom deitar a noite!E que bem a deitou!

MV

Santhiago Ramirez disse...

Quanta suavidade em sua poesia. Lindos versos, calmos, delicados como a pétala de uma flor.
Beijos carinhosos do Thiago