Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Naquela noite...


A noite não tinha formas, o corpo não tinha alma. A boca saboreava o sabor das estrelas enquanto as mãos achavam palavras que se pregavam ao lápis encontrando no papel o seu espelho. Não sei o que me fez ficar, não sei o que me fez esperar por aquele final fatal que alteraria o resto dos meus dias.
Sempre fugi das sombras que me abraçavam, sempre fugi de alguém que me sentisse.
Mas a alegria das tuas palavras desajeitadas faziam-me sorrir. Os ventos trazem-me agora as palavras de saudade, o calor, a esperança do brilho. A estrada em que caminho não encontra o fim. A água que bebo não sacia a sede de um momento de amor em cama de areia. Já cruzámos silêncios, já devorámos olhares, já nos amámos loucos, já nos esquecemos por tão pouco. Sei que corres nas margens do meu sentir, sei que vens na brisa da noite, nos salpicos de vida que dão cor ao quadro que pinto.
O vazio que entorna a embriaguez dos meus dias é copo cheio de alegria ao sentir-te em mim na distância que nos separa. O espaço onde me recolho e te revejo, onde o cheiro é de madeira de carvalho, em cave escura no silêncio do fermentar da bebida que beijo e bebo, como se fosses tu, em goles pequenos entrando no meu corpo e preenchendo-me em baladas, como notas de musica suave e breve, até ao grito do orgasmo destas mãos cheias de palavras em que a coragem falta para as entregar ao teu olhar. Excedo-me selvagem, entrego-me a ti pura, dou-te tudo o que sou. Recebo-te em lençóis de um amor único, encantado pelo cheiro de desejos secretos. Serás sempre o álcool das minhas emoções, que me conserva o gosto pela vida e me faz caminhar nas areias movediças que encontro até de novo poder respirar-te.
Naquela noite houve uma sombra que me abraçou e me sentiu pregando o meu sorriso à lua.

4 comentários:

Maria disse...

Intensa, muito intensa (e tão bonita) esta prosa poética...
... já perdi as palavras das mãos...

Um beijo, com saudades

José Manuel Brazão disse...



Não exageres, por favor.
Vanda Paz

Será exagero o que pensamos quando acabamos de ler um texto como este.
EU SEI QUE EXISTEM MUITAS VANDAS PAZ, mas só comento as que conheço e leio.

João Videira Santos disse...

Um texto poético com sentidos diversos e todos eles profundos. (Sinceramente) Gostei. Beijo

em azul disse...

Gostei e volto.

:)