Sexta-feira, 6 de Abril de 2012

Arrepiando o rubro da palavra



São as frases ditas

Que as paredes absorvem

Quando o pensamento

Se lhe encosta nas faces frias

Arrepiando o rubro da palavra

Que se reflecte

Na voluptuosidade do poema



No sangrar do verso

Rasga-se a intensão

Quando se fala do amor

Amachucando o assunto

Sem dignidade

Com a pressa de quem diz que ama

Sem vestir a solidão da saudade



(saudade é bom…

… como odeio poemas de amor!)



Varro os murmúrios

Lavo o chão dos suspiros peganhentos

(encardidos

pela intensidade do sentimento)

E entrego-me à vida

Escrevendo o caminho em folhas de mármore



Quinta-feira, 5 de Abril de 2012

Pela boca do vento frio



Não quero rasgar a voz

Ou ferir qualquer silêncio

Quero apenas

Esvaziar-me de sonhos

Engasgar-me com a realidade

E deixar-me morrer

Pela boca do vento frio

Que cristalizou

Cada rosa vermelha do meu jardim

Por certo...



Por certo

Sou só o branco

Que mancha o papel

O deserto

Da imensidão das letras

O oceano

Das frases curtas e vazias



Por certo

Sou só a lua sem luar

A estrela

Que deixou de brilhar

A faina das coisas chatas

E repetidas



Por certo

Sou o traço desalinhado

Num inquieto tracejado

Onde o tudo ou nada entendo

Quando das lágrimas se solta

A vida num remendo

Quinta-feira, 22 de Março de 2012