NÉCTAR DAS PALAVRAS
Há palavras que se sentem, outras que se saboreiam e outras que se cheiram, formando um conjunto complexo onde se pode apreciar o seu verdadeiro "néctar".
Quarta-feira, 23 de Maio de 2012
Sexta-feira, 6 de Abril de 2012
Arrepiando o rubro da palavra
São as frases ditas
Que as paredes absorvem
Quando o pensamento
Se lhe encosta nas faces frias
Arrepiando o rubro da palavra
Que se reflecte
Na voluptuosidade do poema
No sangrar do verso
Rasga-se a intensão
Quando se fala do amor
Amachucando o assunto
Sem dignidade
Com a pressa de quem diz que ama
Sem vestir a solidão da saudade
(saudade é bom…
… como odeio poemas de amor!)
Varro os murmúrios
Lavo o chão dos suspiros peganhentos
(encardidos
pela intensidade do sentimento)
E entrego-me à vida
Escrevendo o caminho em folhas de mármore
Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
Pela boca do vento frio
Não quero rasgar a voz
Ou ferir qualquer silêncio
Quero apenas
Esvaziar-me de sonhos
Engasgar-me com a realidade
E deixar-me morrer
Pela boca do vento frio
Que cristalizou
Cada rosa vermelha do meu jardim
Por certo...
Por certo
Sou só o branco
Que mancha o papel
O deserto
Da imensidão das letras
O oceano
Das frases curtas e vazias
Por certo
Sou só a lua sem luar
A estrela
Que deixou de brilhar
A faina das coisas chatas
E repetidas
Por certo
Sou o traço desalinhado
Num inquieto tracejado
Onde o tudo ou nada entendo
Quando das lágrimas se solta
A vida num remendo
Quinta-feira, 22 de Março de 2012
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