Sábado, 17 de Março de 2012

Dedos Acesos


"Dedos acesos" apresentados no Museu do Vinho Bairrada



Lançamento do segundo livro de Poesia de Vanda Paz

IN: Região bairradina. - nº 1175 (2011-10-05) Pág. 21






Terça-feira, 6 de Março de 2012

Diz-me, quantas vozes tem o vento?




Não há palavras que exprimam


o amor de uma mãe



Não há abraço com o seu calor

Carinho como o seu olhar

Não há voz

Não há razão

Não há poema, ou paixão

(Como todas as palavras suas)



O descanso, só no seu peito

O sorriso só do seu jeito

O consolo

A amizade

A busca intensa da verdade

A teimosia de ficar

Em qualquer distância, em qualquer mar



Sempre dentro do coração

Para não ousarmos algum dia

Abandonarmo-nos à solidão



Diz-me

Quantas vozes tem o vento

Sempre que me vens ao pensamento





Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Como um rio






Dos olhos

naufragados no silêncio

entre marés frias

e madrugadas salgadas,

reencontro o sentido da luz.



De todos os gritos

encandeados por estrelas falsas

caiu um no meu peito

deixando um sopro

de esperança.



Tantos os beijos

que se desmancharam

no papel,

manchando os lábios tristes,

tantas as saudades

e mediocridades

que se aglutinaram,

na palavra morrer.

Tantos poemas vazios

e outros

repletos de nada

alcançaram, juntos, a sombra.



Não sei

se algum dia

a lua beijou a maré

ou se o sol

abraçou o horizonte.



Sei

que um dia

os teus braços

abraçaram os meus

e que o teu calor

foi rio

nos meus lábios

(que ainda corre)

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

Hoje



Hoje

e porque hoje

é o inicio do amanha,

consigo ler nas mãos

as estrelas do meu mundo.

Consigo mergulhar

no mar imenso

dos meus sentidos.

Hoje

e porque o hoje

é o tudo que não foi ontem

consigo calar os silêncios

iludir as vozes

para um abraço de esperança.

Hoje

e porque o hoje

é o renascer de longos anos,

guardo o aroma

de uma rosa vermelha

e o sussurrar dos sentimentos

como palavras paridas,

no meu peito.



O amanhã

é o nada que dói

onde tudo acontece…



Abraça-me!

Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

VIDA


É óbvio que o sol quando nasce não é para todos e que nem todos os caminhos vão ter a um lugar feliz. Existem sorrisos que são dilacerados antes de finalizarem. Não estendas a mão porque pode cair o céu sobre os teus ombros. Não penses que existem milagres à espera que os chames. Chora a dor até te rebentar o peito e grita. Aguenta, aguenta, aguenta… e sai da tristeza na próxima oportunidade, agarrando a vida com os dentes e cantando os dias para afoguentar as sombras.

Agora vai, e sorri!

Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

não chores as pedras do teu caminho




não chores as pedras do teu caminho

porque nelas

já escorre o sangue de muitas dores

porque é nelas

que se transforma todo o amor

frio

insensível

duro…áspero

não chores as pedras do teu caminho

porque já alguém chorou por elas



deixa-te ir pelo rio

no silêncio da corrente

e se chorares, chora para dentro

sorri e mente

não mostres o verdadeiro sentimento





vai rio vai, solta as pedras, agarra o momento.



Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

no reverso do meu verso




no reverso

do meu verso

existe uma palavra

pronta para gritar

existe a esperança

de a libertar



das mãos

escorre o silêncio

que ganha voz

ao entrar no poema

que segue como hino

pela vontade de o cantar



no reverso

do meu verso

nasces tu

em água cristalina

no aroma de uma rosa

no desejo de amar

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

O meu desejo?




Mais um ano que parte


num suspiro leve,

prateado,

num grito verde,

murmurado.

(soprei para longe

as manchas da vida)

Entre as folhagens

de um novo ano,

respiro a esperança

num aroma encorpado e doce.

(fechei os olhos

e esqueci o amargo dos dias)

Como esses lábios,

que me embriagam

pela crescente saudade

apetecida

nos sentidos de um poema.

(existem momentos

que nunca se esquecem)

O segredo,

para eternizar o teu sabor,

é beber-te a tempo inteiro,

consumindo as palavras

que se arrastam no olhar,

e perceber a tua voz

nos raios de sol de cada manhã.



O meu desejo?

Que me bebas também

entre versos voluptuosos

declamados no meu corpo,

entre silabas murmuradas

pelos teu lábios nos meus…



….e que sintas o sol, como eu.




FELIZ ANO DE 2012 PARA TODOS

Domingo, 25 de Dezembro de 2011

Desembrulha-me



Desembrulha-me,

liberta-me a alma

em milhares de lágrimas

prateadas

e deixa-me ir,

ao encontro do sol,

enquanto esqueço o luar

dos meus olhos.



Desenlaça-me

das palavras

e deixa o poema ao alto

para que o vento o leve,

para longe,

enquanto soletras

as palavras

e fazes parar o tempo.



Desembrulha-me

encontra o calor

do meu corpo

e deixa escorrer a solidão,

enquanto os lábios

ancorados no silêncio

esperam os teus.



Desenlaça-me

os sentidos,

mostra-me o caminho

do sorriso

e transborda no meu peito

em maré viva de ti.



Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011

UM DIA




Um dia

terei uma estrela

na mão

e sorrirei

com o coração.

Serei onda do mar,

sol atrevido,

ganharei asas

para te abraçar.



Um dia

terei outro brilho,

no olhar.

E beijarei o céu

ao luar.

Serei flor de cheiro,

uma rosa vermelha,

paixão

do mundo inteiro.



Um dia

terei calor

no meu peito,

sentirei o amor

a preceito.

Cantarei a vida

num ritmo intenso,

descansarei o sonho

agora imenso.



Um dia

serei eu,

mais ninguém.



Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

DEVANEIO

Pinto sorrisos brancos nas nuvens cinzentas enquanto o Tejo goza o meu gesto inquieto. Também respiro o nada quando assim me obrigam, mas as memórias continuam saudáveis trazendo o oxigénio ao olhar. Às vezes gostava de ver os sonhos de todas as cores, calar a poesia e digerir a vida na foz do tempo. No punho esmago a saudade e encerro o capítulo do sonho, agora tudo se resume à lenha que arde sem mágoas. Corto o silêncio num arrepio que sangra lealdade pelas paredes de um poema. Viverei livre nas asas de uma águia e na palavra rio, que jamais secará no leito da esperança.

Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

Poema para degustar (não alcoólico)



Por vezes

as coisas mais simples

encontram - se nos sorrisos

das folhas que caem no outono,

no brilho das falas

que deslizam como rio adormecido

até à foz de um poema,

espalhado pelo mar aberto do abraço.



Os aromas dos cafés e das gentes

nas manhãs frias de sentidos

embriagam os gestos cansados

e adormecidos….



Por vezes

achamo-nos nos outros

onde tudo é claro e transparente

sem regras, sem medo,

sem alimentos virtuais,

simplesmente

o degustar de uma amizade

com aroma, com sabor

e encorpada de sonhos.



(este é um poema que pode ser guardado no peito, deitado ou em pé,

e degustado sempre que apetecer porque jamais azeda)



Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Não sei...



Não sei, se foi o Outono que voltou ou se fui eu que o abracei, depressa cheguei ao ponto de partida, mas agora mais vazia. De novo a lareira, de novo o frio e as palavras embrulhadas pelo calor de uma manta. Não sei se tenho medo de mim ou do mundo, vou seguindo de esguelha o tempo e arrepio-me com a verdade que se estampa aos olhos. Todos escrevem o fim, ou o princípio de algo ainda pior. Todos pintam um amanhã negro e incerto que eu teimo em negar. Até a voz se arrependeu de falar no futuro, como se ignorando, não tivesse que passar por ele. O medo traz a capacidade de nos anularmos, não sei como olhar o que vem de frente, de olhos fechados ou bem abertos. À minha volta secam sorrisos e são embalsamadas vidas felizes. Até as crianças pedem para parar de crescer. As histórias são contadas com sabor a incerteza, tal como a refeição de algumas mesas. No regresso a esta estação, tento encontrar a minha verdadeira casta e o aperto certo que hei-de dar à vida. Espremo os pensamentos e escorrem desgostos fermentados pela espera, de quem não chega nunca. Já nem a saudade mora no meu peito viajou para parte incerta sem deixar bilhete. Só as estrelas que me acompanham iluminam o meu caminho com sorrisos e lágrimas que chegam ao céu, vezes e vezes sem conta… O passo está dado, de mãos dadas com o mundo e com quem precise de mim. Não sei o tempo que permanecerei nesta estação mas sei que me encontrei, mais uma vez, nas palavras.

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011